Artigo especializado
Energia renovável. Coordenação entre os Centros de Monitorização e a O&M.
11 Maio 2021
3 min de leitura
Quando, na indústria, falamos de centros de monitorização e diagnóstico [...]


Quando, na indústria, falamos de centros de monitorização e diagnóstico (CM&D), tendemos a concentrar-nos nos aspetos mais técnicos: o processo de produção e a tecnologia necessária para a gestão e análise dos dados desse processo.
No entanto, depois de um ano em que o teletrabalho se tornou uma realidade para muitos, já temos uma ideia clara de como a falta de contacto humano direto afeta o funcionamento das organizações.
No campo do monitoramento remoto, onde os centros geralmente estão localizados longe das usinas e parques monitorados, esse aspecto é uma condição determinante que deve ser cuidadosamente considerada desde a fase de projeto. O fator humano é o terceiro elemento da equação, e a relação entre os membros da equipe de CM&D – O&M (operação e manutenção) é fundamental tanto para atingir os objetivos do processo de monitoramento (maximizar os lucros da usina) quanto para a sobrevivência do centro.
O modelo de relação deve evitar cair em qualquer uma das seguintes falhas:
- Os funcionários efetivos sentem que o CM&D está atento ao seu desempenho.
- Organiza-se uma «competição» para ver quem conhece melhor ou está mais atento à instalação.
- A informação que o CM&D fornece à fábrica não é aquela de que eles precisam, ou não está alinhada com as suas estratégias de O&M.
A relação entre as duas partes tem de se basear na confiança, assente nestes pilares:
- O CM&D está ao serviço das instalações: por exemplo, é preciso encontrar formas para que a informação de que o CM&D necessita esteja já disponível ou cause o mínimo de perturbação possível na fábrica.
- A principal função do CM&D é fornecer informações precisas e fiáveis sobre o que observa no processo.
- As decisões relativas à central são tomadas pelos responsáveis pela operação e manutenção, com base tanto nas informações fornecidas pelo CM&D como noutras informações de que a própria central possa dispor (por exemplo, necessidades de peças sobressalentes ou de fornecimento de energia).
Para conseguirmos criar este clima de confiança mútua, sugerimos estas orientações:
- Os responsáveis tanto das fábricas como do CM&D devem promover a comunicação a todos os níveis de ambas as organizações, evitando a tentação de controlar toda a informação que entra e sai da sua organização.
- A equipa que integrar o CM&D tem de ter bons conhecimentos do processo e da própria instalação, ou de outras semelhantes.
- É preciso promover contactos regulares entre as organizações, que favoreçam o conhecimento mútuo e a troca de necessidades e pontos de vista.
- Recomenda-se que as ferramentas de supervisão também estejam disponíveis nas fábricas, dando formação adequada a pessoas selecionadas dentro da equipa de cada uma delas. Embora o dia-a-dia não permita a sua utilização contínua, isso garante a transparência.
- A unidade deve sentir-se à vontade para solicitar determinadas análises ou estudos que contribuam para a melhoria do seu processo de produção.
Autor: Alberto Martinez Zabaleta – Ex-diretor do CSO&M, Naturgy Generación (Centro de Apoio à Operação e Manutenção) – Consultor de Energias Renováveis do Grupo Álava.
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